O bibliotecário tem nas práticas de preservação digital um objeto de estudo que engloba todas as tarefas envolvidas no fluxo informacional, que após serem vivenciadas pelo pesquisador podem chegar a ser pontos focais de originalidade da área.

Na área da Biblioteconomia, assim como em toda a Ciência da Informação, o uso da tecnologia digital que toma o lugar dos tradicionais meios de preservação, como a microfilmagem, trouxe consigo a preocupação com as normas para o uso das técnicas digitais e sua prontidão na tarefa da preservação a longo prazo (CHEPESUIK, 1997). Os especialistas da área que trabalham com informação em formatos digitais estão elaborando normas necessárias para armazenar e compartilhar de maneira adequada esses materiais, assim como buscam a formulação de políticas institucionais de preservação. Segundo Webb (2000), as bibliotecas são responsáveis por manter coleções para uso permanente, protegendo-as de ameaças, ou salvando-as e reparando-as para compensar seus impactos.

Nos últimos anos o estudo da preservação digital tem passado do reconhecimento da sua necessidade e da sua definição, para abordagens mais técnicas e propostas de ações mais claras. Para Chilvers (2000) a confiança que a sociedade acadêmica tem depositado em certos recursos digitais, reconhecidos e qualificados pelos pares, leva a uma urgência na busca por estratégias para desenvolver, gerenciar e preservar conteúdos digitais. Ignorar isto, segundo ela, pode levar a perda de dados únicos e criar grande dispêndio financeiro, de tempo e recursos humanos para recriar estes dados, sem falar que os que “nasceram digitais”, podem também ser perdidos.

Para alguns especialistas, as bibliotecas digitais são consideradas o caminho mais adequado para a preservação dos recursos de informação (HILDRETH, 1996). As bibliotecas digitais são meios mais dinâmicos para preservação digital do que as bibliotecas tradicionais, no sentido da sua adaptação às freqüentes mudanças tecnológicas (LESK, 1997). Para outros autores, os centros de preservação estão sendo considerados os lugares adequados para se testar e formular as metodologias e políticas a serem adotadas pelos provedores de informação científica. Os centros estariam localizados em instituições confiáveis e capazes de armazenar, migrar e dar acesso a coleções digitais (RLG, 2002). Para Borbinha e Correia (2001) a biblioteca digital apresenta um novo agrupamento da perspectiva que se tinha dos requisitos associados com as atividades tradicionais de preservação

Preservação digital tem diferentes significados dependendo do contexto, para os profissionais da informação, por exemplo, pode ser a infra-estrutura e o comprometimento institucional necessário para proteger a informação representada digitalmente, em quanto que para os especialistas das ciências da computação ela seria uma maneira de atenuar a obsolescência tecnológica e aumentar a memória humana.

Atualmente a compreensão sobre os desafios associados com esse tipo de preservação parece começar a serem mais bem focalizados, mudando da estratégia tecnológica para o tema do “gerenciamento digital” (LAVOIE; DEMPSEY, 2004). Novas questões surgem dessa nova visão, a qual não considera a preservação digital apenas como um processo isolado, mas como um componente de um conjunto agregado de serviços, políticas e especialistas que constituem o contexto do ciclo de vida da informação digital.

Segundo Jones (2003) existem três tipos de criadores de objetos digitais: aqueles que não acreditam que os repositórios digitais tenham a habilidade de preservar seus materiais, aqueles que desconhecem que esses repositórios existem e aqueles que desejam que seus materiais digitais sejam preservados, mas para eles tais recursos são inexistentes. Como Jones aponta, existe uma relutância por parte desses criadores de objetos digitais em lidar com a responsabilidade da preservação desses materiais. Se os criadores de materiais digitais originais não compreendem as implicações das suas ações em termos de viabilização a médio e longo prazo dos materiais criado, eles não serão capazes de proporcionar o suporte e o acompanhamento necessário com a infra-estrutura técnica e organizacional que possa dar assistência e facilite um gerenciamento eficiente de preservação.

Chilvers (2000) menciona a necessidade de preservação digital como a necessidade de seleção e avaliação dos custos baseados no ciclo de vida de um objeto digital. Boeres (2004) após uma investigação junto às bibliotecas universitárias brasileiras, identificou a necessidade de preservação digital no momento da seleção das coleções. Para ela a questão de seleção de documentos digitais, deve ser observada na tomada de decisão, onde seriam reavaliados os critérios da seleção e percebida a necessidade de uma política de seleção. No caso das bibliotecas universitárias a seleção do que será preservado deve estar de acordo com a missão da unidade de informação e a necessidade de seu corpo acadêmico. A necessidade de preservar tem um papel de destaque na garantia do acesso e recuperação de informação a fim de fundamentar a pesquisa acadêmica.

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